Sweet Home, without a fit of conscience

Théâtre de La Licorne · FR

17, 18 Out · 19h

Mosteiro São Bento da Vitória

40' · M16

Sessões Legendadas PT/EN

© Christophe Loiseau
© Christophe Loiseau
© Christophe Loiseau
© Christophe Loiseau

Texto de Arthur Lefebvre

Encenação e cenografia Claire Dancoisne

Com Rita Tchenko

Direção de palco Brice Nouguès

Criação musical Maxence Vandevelde

Criação de objetos Maarten Janssens, Olivier Sion

Pinturas Chicken

Criação da cortina de fundo Detlef Runge

Construção de cenário Alex Herman

Criação de figurinos Anne Bothuon

Produção Théâtre La Licorne

Coprodução Le Tangram - Scène nationale Évreux Louviers

Com o apoio Conseil départemental du Pas-de-Calais

Agradecimento especial Le Bateau Feu - Scène nationale de Dunkerque, Le Channel – Scène nationale de Calais, La Maison Folie de Moulins - Lille

De regresso ao Porto, ao fim de uma vintena de anos, o Théâtre de La Licorne, traz-nos duas peças concebidas para espaços intimistas. Nesta espécie de teatro de bolso, a simplicidade dos meios, a plasticidade da cena (um traço forte na identidade destes artistas), o humor-negro e o vigoroso desempenho dos intérpretes, prendem-nos do início ao fim, talvez como num policial de bolso excepcionalmente bom.

 

Sempre me pareceu necessário criar espetáculos passíveis de serem apresentados em espaços não teatrais, em paralelo com espetáculos para digressões em grandes salas com uma plateia enorme. Um prazer diferente, outros encontros - por isso semelhantes, - na mesma energia artística que defendo na Licorne que é a de tocar o maior número possível de pessoas com criações exigentes. Essas formas tecnicamente leves, pensadas para serem facilmente itinerantes, possibilitam a criação de encontros com o público em intimidade e com verdadeira proximidade física entre os espetadores e os atores…

Com Les petits polars de La Licorne (Os Policiais de Bolso de La Licorne) e outras histórias impregnadas de suspense, de medo e de horror e, sobretudo, de humor… negro. Pois trata-se disso mesmo, contar histórias em que os heróis são personagens fora do comum, dispostos a tudo para atingir os seus objetivos.

Sweet Home é uma criação original cujo texto foi escrito por Arthur Lefebvre, autor cúmplice, associado mais uma vez a esta nova aventura. Será como uma partitura a duas mãos, pois as palavras compor-se-ão com uma escrita visual que eu assinalarei com a presença de objetos... Até já!
Claire Dancoisne

 

Sweet Home: without a fit of conscience

Suzanne não tem idade e está isolada na sombra de um edifício vulgar, desde sempre. Foi a primeira habitante do edifício. Depois, vieram outros. Burros de mais, sujos de mais, em quantidade a mais, tudo de mais. Por isso, hoje, o edifício devia ser dela. O edifício dela e só dela, como no primeiro dia, está decidido. Deste sonho absurdo passa para um sonho de grandiosidade e solidão. Fará uma cidadela do seu edifício, um castelo invicto. Determinada, começa a reconquista do seu "reino". Criar um lugar limpo, expulsar, metodicamente estes ocupantes ilegítimos, erradicar sem um só escrúpulo a presença destes vizinhos usurpadores. Na cozinha, a sua mente fervilha com intenções maquiavélicas. Ela imagina estratégias, facadas nas costas, e visualiza imagens sombrias para provocar um êxodo em massa. Na sua reconquista, nada será deixado ao acaso. Friamente, os seus planos serão postos em execução para servirem a sua ascensão aos pisos superiores. Subir até ao topo, para apreciar as vistas, olhar para o céu e sentir o sol.

Apesar das dúvidas, dos obstáculos e dos contratempos, todos terão de fazer as malas e ir embora. Ela ficará sozinha e finalmente com o controlo do lugar. Sim, mas… por quanto tempo?
Arthur Lefebvre

 

 

Claire Dancoisne
Depois de um diploma em escultura nas Belas-Artes de Lille, e alguns desvios, Claire Dancoisne dedica-se ao teatro, uma paixão onde as artes plásticas são de grande importância. Como atriz funda o Théâtre de La Licorne pois a máscara e o objeto rapidamente se tornam escolhas óbvias, para a escrita original e única da companhia.

Assegura a encenação das quarenta criações seguintes. Os seus espetáculos serão adaptações de romances (G.G Marquez, Orwell, Flaubert, Voltaire, Carole Martinez), de contos (Misère…), de textos de teatro clássico (Shakespeare, Aristophane…), mas bastantes de entre eles serão escritos pessoais (Sous-Sols, Le Bestiaire Forain, Chère famille, Spartacus…). Colaborações com dramaturgos incrementam este percurso teatral imagético (Arthur Lefebvre, François Chaffin, Matteï Visniec).

Há cerca de trinta anos que defende, através da La Licorne, um teatro exigente, capaz de falar a todos, um teatro plástico e excêntrico, carregado de sentido e de prazer!

Claire Dancoisne foi nomeada chevalier dans l'Ordre national de la légion d'honneur em Julho de 2009.

 

Rita Tchenko
Trabalhou como atriz com encenadores como Andrzej Seweryn (Comédie Française), Jerôme Savary, Wladyslaw Znorko, Régis Hébette, Mustapha Aouar, Julia Pascal, Mohamed Guellati. Atualmente trabalha com o Théâtre de l'Unité e muito particularmente com a L'Illustre Famille Burattini onde é coencenadora, atriz, autora e motorista de camião…

 

Théâtre de La Licorne - Uma pequena história
Depois dos estudos nas Belas-Artes de Lille, onde obtive o diploma em escultura, uma incursão de três anos como enfermeira psiquiátrica, uma participação cada vez mais ativa no mundo do teatro de rua, criando imensas marionetas, seguindo estágios cada vez mais específicos no teatro de máscara, em particular com Ariane Mnouchkine, criei, finalmente, o Théâtre La Licorne, em 1986, para poder imaginar espetáculos onde a máscara e a escultura fossem essenciais.

O início de uma companhia onde se juntaram outros escultores, músicos e atores mais virados para a performance do que para o teatro de textos. Uma pequena equipa de loucos furiosos que, a toda a hora do dia e da noite, procuravam inventar uma forma teatral misturando máquinas, projeções de sombras (noites passadas com o que tínhamos à mão, a projetar o vapor que saía da válvula da panela de pressão sobre a parede branca de uma garagem em frente à janela, a projetar sobre farinha que fazíamos cair do alto de um escadote), a inventar personagens que pudessem engordar durante o espetáculo (câmaras de ar de tratores acondicionadas aos corpos e deslocações em palco com um compressor ligado!). Trabalhávamos duramente, em galpões e sem dinheiro e as "recuperações" noturnas de material volumoso eram frequentes.

Tenho uma nostalgia da criação dos primeiros espetáculos da La Licorne que eram incríveis na invenção, na impertinência, nos riscos físicos, na paixão visível nos corpos. Vivíamos um pequeno coletivo em que o teatro representado nas salas nos parecia tradicional de mais. Queríamos ser inventores e queríamos estar por todo o lado. E estávamos por todo o lado. Estruturámo-nos, escolhemos e afirmámos os nossos «lugares». Eu escolhi a encenação para realizar o meu universo artístico, desenvolvê-lo e inscrevê-lo na criação contemporânea.

Com Patrick Smith, artista gráfico e plástico e mecânico, começámos a avançar no espírito teatral que é ainda hoje o da La Licorne: uma pesquisa em que a máscara e o objeto estão no centro das nossas criações.
Claire Dancoisne

 

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