Macbêtes, the tragic nights

Théâtre de La Licorne · FR

17, 18 Out · 21h

Mosteiro São Bento da Vitória

50' · M16

Sessões Legendadas PT/EN

© Christophe Loiseau
© Christophe Loiseau
© Christophe Loiseau

Texto de Arthur Lefebvre a partir de Macbeth de Shakespeare

Encenação e cenografia Claire Dancoisne

Com Rita Tchenko, Thomas Dubois e insetos como parceiros

Criação de objetos Patrick Smith, com o apoio de Olivier Sion

Criação de figurinos Catherine Lefebvre Execução Anne Bothuon

Música original Maxence Vandevelde

Produção Théâtre La Licorne

Com o apoio Conseil départemental du Pas-de-Calais

Agradecimentos Maison Folie de Moulins – Lille

De regresso ao Porto, ao fim de uma vintena de anos, o Théâtre de La Licorne, traz-nos duas peças concebidas para espaços intimistas. Nesta espécie de teatro de bolso, a simplicidade dos meios, a plasticidade da cena (um traço forte na identidade destes artistas), o humor-negro e o vigoroso desempenho dos intérpretes, prendem-nos do início ao fim, talvez como num policial de bolso excepcionalmente bom.

 

Macbêtes, the tragic nights

Macbêtes é como um policial no reino dos insetos. Trágico e irrisório. A história de um casal diabólico. De um general e da sua musa dispostos a tudo, mesmo tudo, e sobretudo aos piores crimes, para conquistarem um poder que eles querem eterno, absoluto, sem contestação. Um poder usurpado, cruel, despótico e cego.

Macbêtes e Lady M reinam tiranamente um povo de insetos buliçosos, que eles devoram com toda a impunidade mas que não são mais que uma ameaça surda. Murmúrios, segredos de estado e perfídia não têm aqui outro eco senão o sussurro das carapaças, o guinchar das baratas e o estrépito das mandíbulas…
Arthur Lefebvre

 

 

Claire Dancoisne
Depois de um diploma em escultura nas Belas-Artes de Lille, e alguns desvios, Claire Dancoisne dedica-se ao teatro, uma paixão onde as artes plásticas são de grande importância. Como atriz funda o Théâtre de La Licorne pois a máscara e o objeto rapidamente se tornam escolhas óbvias, para a escrita original e única da companhia.

Assegura a encenação das quarenta criações seguintes. Os seus espetáculos serão adaptações de romances (G.G Marquez, Orwell, Flaubert, Voltaire, Carole Martinez), de contos (Misère…), de textos de teatro clássico (Shakespeare, Aristophane…), mas bastantes de entre eles serão escritos pessoais (Sous-Sols, Le Bestiaire Forain, Chère famille, Spartacus…). Colaborações com dramaturgos incrementam este percurso teatral imagético (Arthur Lefebvre, François Chaffin, Matteï Visniec).

Há cerca de trinta anos que defende, através da La Licorne, um teatro exigente, capaz de falar a todos, um teatro plástico e excêntrico, carregado de sentido e de prazer!

Claire Dancoisne foi nomeada chevalier dans l'Ordre national de la légion d'honneur em Julho de 2009.

 

Rita Tchenko
Trabalhou como atriz com encenadores como Andrzej Seweryn (Comédie Française), Jerôme Savary, Wladyslaw Znorko, Régis Hébette, Mustapha Aouar, Julia Pascal, Mohamed Guellati. Atualmente trabalha com o Théâtre de l'Unité e muito particularmente com a L'Illustre Famille Burattini onde é coencenadora, atriz, autora e motorista de camião…

 

Thomas Dubois
Thomas Dubois é ator no Théâtre la Licorne. Participou em vários espetáculos de Claire Dancoisne, tais como Bestiaire Forain, Lysistrata, Chère Famille, La Griffe des Escargots, Sous-sols… Esteve também na origem da personagem do General Macbêtes para o espetáculo Macbêtes, criado em 1997.

 

Théâtre de La Licorne - Uma pequena história
Depois dos estudos nas Belas-Artes de Lille, onde obtive o diploma em escultura, uma incursão de três anos como enfermeira psiquiátrica, uma participação cada vez mais ativa no mundo do teatro de rua, criando imensas marionetas, seguindo estágios cada vez mais específicos no teatro de máscara, em particular com Ariane Mnouchkine, criei, finalmente, o Théâtre La Licorne, em 1986, para poder imaginar espetáculos onde a máscara e a escultura fossem essenciais.

O início de uma companhia onde se juntaram outros escultores, músicos e atores mais virados para a performance do que para o teatro de textos. Uma pequena equipa de loucos furiosos que, a toda a hora do dia e da noite, procuravam inventar uma forma teatral misturando máquinas, projeções de sombras (noites passadas com o que tínhamos à mão, a projetar o vapor que saía da válvula da panela de pressão sobre a parede branca de uma garagem em frente à janela, a projetar sobre farinha que fazíamos cair do alto de um escadote), a inventar personagens que pudessem engordar durante o espetáculo (câmaras de ar de tratores acondicionadas aos corpos e deslocações em palco com um compressor ligado!). Trabalhávamos duramente, em galpões e sem dinheiro e as "recuperações" noturnas de material volumoso eram frequentes.

Tenho uma nostalgia da criação dos primeiros espetáculos da La Licorne que eram incríveis na invenção, na impertinência, nos riscos físicos, na paixão visível nos corpos. Vivíamos um pequeno coletivo em que o teatro representado nas salas nos parecia tradicional de mais. Queríamos ser inventores e queríamos estar por todo o lado. E estávamos por todo o lado. Estruturámo-nos, escolhemos e afirmámos os nossos «lugares». Eu escolhi a encenação para realizar o meu universo artístico, desenvolvê-lo e inscrevê-lo na criação contemporânea.

Com Patrick Smith, artista gráfico e plástico e mecânico, começámos a avançar no espírito teatral que é ainda hoje o da La Licorne: uma pesquisa em que a máscara e o objeto estão no centro das nossas criações.
Claire Dancoisne

 

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