L'étreinte

Mue Marionnettes · FR

13 Out · 11h, 12h
Teatro do Bolhão

13 Out · 22h15
Foyer Rivoli

14 Out · 11h, 12h
Jardim Basílio Teles, Matosinhos

14 Out · 22h15
Foyer Campo Alegre

15' · M6

© Xavier Bourdereau
© Xavier Bourdereau

Imaginado, realizado e animado por Valerio Point

Sob os olhares atentos de Danièle Virlouvet, Frank Soehnle

Música Pascale Berthomier

Apoiado pela Commune de Celle l'Evescault, Conseil Général de la Vienne, Région Poitou-Charentes

Com a colaboração dos Liceu Victor Hugo, Liceu Xavier Bernard, Liceu de La Palène

Agradecimentos Maison des Trois Quartiers, Zo Prod, Compagnie du Coq à l'Anee Figurentheater Tübingen

Um homem e uma mulher. Um marionetista e uma violoncelista. Duas marionetas de fios, um homem e uma mulher. Um abraço dado num sonho sonhado a dois.

Nesta pequena e delicada peça, a animação dos pequenos corpos transporta-nos para um recôndito de intimidade. As ressonâncias da pintura de Egon Schiele e a música tocada ao vivo fazem também dos cerca de 15 minutos que dura O Enlace uma vivência particularmente absorvente e intensa – como um abraço de dois amantes deve ser.

Estendido sobre um grande lençol roxo, de algodão, um jovem casal está adormecido. Duas solidões azul-celeste dormitam no abandono dos seus sonhos verde-água.

Ao acordarem, uma espera breve e profunda, os seus sentidos púrpura emergem do sono. Apercebemo-nos da precariedade do corpo, da fragilidade das almas esverdeadas e dos sinais marcados pelo desejo.

Um olhar, primeiro cúmplice, depois a expressão do prazer destes corpos frágeis que se procuram e se tocam, essas mãos negras que acariciam e enfeitiçam.

O Enlace é um espetáculo de marionetas com fios, uma forma curta que fala sem complacência e o mais simplesmente possível do desejo entre dois seres e da sua vontade de serem amantes. Uma encenação depurada revela a sensualidade que pode libertar corpos frágeis, sensíveis e tímidos. Um momento efémero em que olhares, carícias, a escuta e a atenção se revelam aos olhares. Um momento frágil entre duas marionetas e o público. Um momento em que o material se torna fútil e em que a relação humana é importante. Este espetáculo procura uma forma de essencial.

Como imagem forte e vetor do desejo utilizo corpos não conformes com a imagem contemporânea, corpos magros, mal proporcionados, de pele pálida, dedos negros, onde só o rosto, as mãos e as pernas estão nuas. Da animação delicada dos fios nascem movimentos fluídos e ondulantes que dão a estes corpos, que mal se tocam e se esquecem, uma forma de animalidade, uma identidade que lhes é própria.

Este espetáculo é trabalhado de forma a que as imagens sejam acessíveis ao maior número de pessoas sem, no entanto, darem lições ou serem moralistas. Estas imagens em movimento são doces e poéticas.

Começa com os olhares, encadeia-se sobre os corpos entrando em contacto e acaba num abraço um pouco desajeitado, deixando estes amantes na sua intimidade e o público com o seu imaginário e a sua história. A intenção do espetáculo e a atenção do público não são mais do que pequenos gestos sensíveis.

Para a estética do espetáculo, a cenografia e a construção das marionetas inspirei-me nos desenhos de Egon Schiele, sem imitar o seu trabalho mas antes encontrando características fortes e pertinentes que misturo à minha maneira e de acordo com a minha visão.

Para este espetáculo construí marionetas de fios. Os fios dão leveza e fragilidade aos movimentos do objeto animado e colocam distância entre o marionetista e as suas marionetas, dando-lhe assim um lugar mais de observador/ acompanhador do que de manipulador, numa relação de cumplicidade. Construí marionetas que medem cerca de 80 cm. São feitas de madeira, de resina epóxi e de tecido de algodão. Todos os membros são articulados e foi dada uma atenção muito particular às mãos. Os dedos mexem-se independentemente uns dos outros de modo a aproximarem-se das expressões características que Egon Schiele dá aos das suas personagens.

A cenografia é particularmente simples e depurada. As marionetas movem-se numa cena circular com cerca de 70 cm de raio. Se a apresentação for feita no escuro, são dispostos pequenos projetores em redor da cena.

A música é interpretada ao vivo por um clarinetista ou por um violoncelista. O som é uma entidade à parte que, com o marionetista, faz a ligação entre as duas personagens e permite aumentar o ritmo lento da gestualidade lânguida das marionetas.

Este espetáculo visual e sem palavras quer-se sem artifícios nem superficialidade. Situa-se longe de imagens violentas e dos ritmos rápidos e irregulares que estamos habituados a ver na maioria dos ecrãs.

 

 

Mue é uma companhia profissional criada em 2013, no seguimento da companhia Osenbones Constructions, criada em 2008. Tem como ambição o desenvolvimento de espetáculos intimistas, minimalistas, visuais e sem palavras, onde o gesto é ostensivo e onde a calma e o silêncio andam de braço dado com a música tocada ao vivo, em cena. A marioneta de fios é a técnica mais usada embora se misture, ocasionalmente, com disciplinas como o vídeo ou os desenhos animados. Os seus espetáculos destinam-se às crianças e/ ou aos adultos. A companhia recebeu duas vezes o apoio financeiro da região Poitou-Charentes e do conselho geral de Vienne para os espetáculos L'étreinte (criação 2014) e Lili à l'infini… (criação 2018). Neste momento, o Théâtre Gérard Philippe de Frouard, La Palène de Rouillac e o Théâtre des Carmes de La Rochefoucauld acompanham a companhia na sua nova criação de 2019. A Mue apresenta o trabalho de Valerio Point que, com a sua experiência, anima, junto de crianças, ateliers de construção/ manipulação de marionetas de fios e orientará o seu primeiro estágio para adultos em 2018.

 

Valerio Point – marionetista
Construí a minha primeira marioneta de fios aos 21 anos. Aí encontrei um espaço de expressão pessoal e completo que me fez lembrar das longas horas que passei a brincar com Lego© Technic, quando era criança. No ano seguinte, dei os meus primeiros passos em cena, acompanhado pela minha primeira marioneta, uma jovem rapariga, toda branca, tímida, frágil e delicada, feita de madeira e tecido, montada sobre fios de nylon. Desde aí, não parei mais de trabalhar e descobri timidamente o que a representação em palco, frente a um público, podia ser e a preparação que isso implicava. As minhas primeiras marionetas com aparência de esqueletos levaram-me, algum tempo depois, a construir duas marionetas com ossos de animais. Em 2008, dessas personagens nasceu a primeira associação: Osenbones, no seio da qual realizei Petite Fleur (Fantôme). Mas foi apenas em 2013, depois de alguns anos sem construir marionetas, e aquando da criação do espetáculo L'étreinte, que decidi dedicar-me unicamente à criação de espetáculos vivos e de fazer disso a minha profissão. Trabalhei sempre sobre o aspeto visual das marionetas, mas as minhas interrogações repousam sobretudo sobre a estética do movimento. Procuro criar uma gestualidade próxima do real e juntar-lhe uma tonalidade de fantástico. Cada marioneta é construída sobre uma ossatura, um esqueleto, criando linhas de força, desenhando formas geométricas. As imagens nascidas dessas linhas são, para mim, mais próximas da abstração do que da figuração. Concebo cada encenação como uma paginação. Animo as minhas marionetas à vista e sempre representei em grande proximidade com elas. Por isso, uso cada vez mais o meu corpo nos meus projetos, mas não sendo ator nem bailarino (e não querendo sê-lo) deixo-lhes o primeiro plano. Adoro a sua força expressiva e o interesse que despertam no público. Aspiro a dar vida a objetos únicos, de qualidade, ao serviço de um propósito universal e não desejo senão a serenidade que os meus espetáculos emanam. Procuro a depuração e a simplicidade, um pouco como uma busca do essencial ou do estritamente necessário. A noção de evolução, especialmente o facto de que nada está nunca parado, é desde há muito tempo o fio condutor do meu trabalho.
2019 - Supernova(e) / Marionetas de fios e autómatos
Adulto e adolescente;
2017 - Lili à l'infini… / Marionetas de fios. Público jovem;
2014 - L'étreinte / Marionetas de fios. Adulto e adolescente;
2011 - Petite Fleur (Fantôme) / Marionetas de fios, imagens animadas e papéis dobrados. Público jovem;
2007 - Evolution 2.0 / Marionetas de fios, câmara de vídeo e televisão. Adulto;
2006 - Animal ? / Marionetas de fios. Adulto;
2005 - Sweet Dreams / Bonecos livres e bricolage bem acabada. Adulto;
2003 - Zucco / Marionetas de fios. Todos os públicos;
2003 - If the kids are united / Marioneta de fios e bonecos. Todos os públicos;
2003 - Valentin / Peluche. Público jovem;
2002 - Phantomm / Marionetas de fios. Todos os públicos;
2002 - Fragiles (Manipuler avec soin) / Marionetas com fios. Público jovem;

 

Pascale Berthomier - Violoncelista, compositora, performer
Nascida em 1973, em Brest. Diplomada em 1990 pelo CNR de Poitiers e em seguida pela l'École Normale de Musique de Paris. Diplomada em violoncelo, em 1997, pelo CEFEDEM de Poitiers. Durante alguns anos, é professora no Conservatoire de Châtellerault, escolhendo depois dedicar-se ao palco.
Durante dez anos, vai experimentando estilos completamente diferentes, do punk rock, à música antiga, passando pela música tradicional. Durante algum tempo, anda em tournée com o grupo ''Orange Blossom'', juntando-se também durante dois anos ao ''Wig à Wag'', um octeto de rock Celta.
Compõe para teatro com a Companhia ''Le Moulin Théâtre" e para dança com Odile Azagury.
Desde 2006, e com a criação do seu duo ''L'Inquiétant Suspendu'', com o músico multi-instrumental Xavier Vochelle, alarga o seu campo lexical em torno de diversas práticas artísticas:
· os cine-concertos, com uma encomenda do Musée d'Orsay e da ''La Nuit du P.I.R.'' em Lannion com a Cie Papier Théâtre.
· a arte do recital, com a Cie François Godard. Dez anos de colaboração com o espetáculo "Résistances" e mais de 150 apresentações;
· a dança,''mysuperlover.com'' com a companhia ''I2a''.
· o teatro, ''El M, Misanthrope'' com a companhia ''Sans Titre''.
· as artes plásticas, com o seu projeto de concerto pessoal.
Paralelamente, continua a escrever e a tocar a solo, Com a companhia ''Sans Titre'', no espetáculo Cabaret Slam de l'Égalité e na primeira parte do tríptico Les Antigones, Héritages, Traces et Fondations e igualmente como a sua companhia de dança ''Sine Qua Non Art'', com o espetáculo Des Ailleurs sans Lieux.

 

Rivoli

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223 392 201

Jardim Basílio Teles

Matosinhos

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